Indicadores operacionais: conceito de horas 

4 de junho de 2024

Hoje vamos iniciar uma série sobre indicadores operacionais, ferramentas cruciais para otimizar a eficiência e estrutura das operações de mineração. Utilizar esses indicadores ajuda a identificar e mitigar gargalos, falhas e baixa produtividade, impactando positivamente os resultados econômicos da organização. 

Vamos começar explorando os indicadores relacionados às horas. Neste blogpost, entenderemos os conceitos e as equações básicas, além de um exemplo prático para ilustrar sua aplicação. 

CONCEITO E EQUAÇÕES: 

Os indicadores serão apresentados considerando os equipamentos da mina e expedição, não os colaboradores. 

DEFINIÇÕES BÁSICAS: 

Horas calendário (HC): corresponde às 24 horas do dia para cada equipamento; 

Horas inativas (HI): intervalos que não estão programados para a escala de turno de trabalho; 

Horas programadas (HP): representam as horas definidas pela escala de turno de trabalho, podendo utilizar da seguinte equação: 

Horas manutenção (HM): refere-se às horas em que o equipamento está em manutenção. 

Horas disponíveis (HD): horas em que o equipamento está disponível para a utilização na operação.  

Para a equação acima (eq3) nos referimos que as horas disponíveis será as horas programadas quando o equipamento não tiver passado por nenhum tipo de manutenção período analisado. 

Paradas operacionais (HPO): caracterizam-se as horas em que o equipamento está em alguma parada ligada à operação do equipamento. Ex.: troca de turno, abastecimento, entre outros. 

Horas trabalhadas (HT): equivale as horas em que o equipamento está operando. Quando o equipamento não estiver trabalhando em sua atividade principal, considera-se que estas horas são horas trabalhadas auxiliares. 

Além disto, podemos abordar os conceitos básicos de DF, UF e RO neste artigo, lembrando que terão outros momentos em que iremos abordar estes três indicadores com maior detalhamento. 

Disponibilidade física (DF): a disponibilidade física de equipamentos de mineração refere-se à capacidade desses equipamentos estarem operacionais e prontos para uso quando necessário. Ela é um dos principais indicadores de desempenho de manutenção, juntamente com o Tempo Médio Entre Falhas (MTBF) e o Tempo Médio para Reparo (MTTR). Para hoje, iremos abordar apenas a equação que leva em conta o conceito de horas que abordamos anteriormente.  

Utilização física (UF): a utilização física é o indicador que retrata a eficiência da operação quanto a utilização dos ativos disponíveis para operar. 

Rendimento operacional (RO): indicador que representa o valor percentual das horas em que o equipamento operou em relação às horas totais programadas para ele. 

“Quando estiver programado para operar, atingir a maior DF possível; 
Quando estiver disponível para operar, atingir a maior UF possível; 
Quando estiver operando, atingir a maior produtividade possível. ”

EXEMPLO EM HORAS: 

Para este exemplo, iremos considerar uma operação com três equipamentos. 

HC = 3*24h
HC = 72h 

Considerando que neste período de três dia tiveram 24 horas de horas inativas, temos: 

HI = 24h 

Se observado na equação (1), HP será a diferença entre HC e HI. Ps.: Se HI=0, HP = HC. Esse cálculo nos dá o tempo total esperado de operação do equipamento de acordo com a escala de turno de trabalho, excluindo períodos de inatividade não planejada. 

HP = 72 h-24h 
HP = 48h 

Para as horas de manutenção (HM), iremos levar em consideração que dois equipamentos fizeram uma manutenção preventiva de 1 hora cada e um equipamento teve vazamento no sistema hidráulico e precisou ficar 3 horas na manutenção corretiva: 

HM = 2*1h +  3h 
HM = 5h 

Existem duas variações da Equação de HD (2 e 2.1). Observa-se que na equação 2.1, é requerido que HM seja 0. Nesse cenário, optaremos pela utilização da equação 2, que nos fornece o valor de HD através da diferença entre HP e HM ≠ 0. 

HD = 48h – 5h 
HD = 43h 

Levaremos em consideração algumas paradas operacionais como: 3 horas de troca de turno, 5.5 horas de refeição (almoço, lanche e jantar), 1 horas de abastecimento e 3.5 horas de serviços de infraestrutura. 

HPO = 3h + 5.5h + 1h + 3.5h
HPO = 13h 

O cálculo de HT, assim como outros cálculos, oferece duas opções de equações (3 e 3.1). Para o nosso exemplo, poderíamos optar por ambas, pois nenhuma das equações requer a resolução de mais equações para encontrar o resultado. Neste caso, escolheremos usar a equação 3. 

Ambas as equações fornecem uma medida do tempo em que o equipamento está efetivamente em operação, levando em consideração diferentes aspectos, como paradas programadas e inatividades. 

HT = 43h – 13h 
HT = 30h 

Essa equação calcula a porcentagem do tempo total disponível que o equipamento de mineração esteve realmente em operação. Quanto maior o valor resultante da equação, maior é a disponibilidade física do equipamento, o que é essencial para manter a eficiência e a produtividade da operação de mineração. 

DF (%) = (43/48) *100 
DF = 89.58% 

Essa equação calcula a porcentagem do tempo total disponível que foi realmente utilizado para operar o equipamento. Quanto maior o valor resultante da equação, maior é a eficiência na utilização dos ativos disponíveis. Por exemplo, se o UF for 80%, isso significa que o equipamento foi utilizado efetivamente durante 80% do tempo disponível para operação. 

UF (%) = (30/43) *100 
UF = 69.78% 

Ambas as equações de RO (6 e 6.1) fornecem uma medida do desempenho do equipamento em relação ao tempo programado para operação. Um Rendimento Operacional mais alto indica uma operação mais eficiente do equipamento em relação ao tempo disponível. 

RO = 89.58% * 69.78%
RO = 62.50% 

Na medida em que aplicamos as fórmulas em diferentes exemplos, conseguimos fixar cada vez melhor estes conceitos. Um processo com bons indicadores operacionais irá avaliar as principais atividades improdutivas da manutenção que irá impactar a DF, por exemplo, altos tempos de espera e aguardando ferramentas, atraso no início de atividades, tempos ociosos, ausência de peças no tempo hábil etc. No mesmo sentido, os processos com bons indicadores certamente irão buscar os códigos de paradas operacionais mais recorrentes e irá atribuir para eles metas de forma que tenhamos uma UF otimizada. 

EXEMPLO PRÁTICO: 

Vamos utilizar um exemplo prático para fixar tudo isto?  

Analisando o processo de uma mina, um analista observou em um período de 7 dias de operação, uma frota com 5 caminhões (I, II, III, IV e V) e os seguintes eventos: 

Pergunta: Como calculamos a DF, UF e RO destes equipamentos? 

Resposta: Para 7 dias de operação e 5 equipamentos, temos: 

HC = 7*5*24 
HC = 840h
HI = 0 (rodou 24h) 
HP = HC 

Total de horas de manutenção: 

HM = 36h + 3h + 3h + 15h + 3h 
HM = 60h 

HD = 840 – 60 
HD = 780h 

Total de paradas operacionais: 

HPO = 23.33h (T. TURNO) + 73.5h (REFEIÇÃO) + 8.75h (ABASATECIMENTO) + 32.08h (AG. ESCAVADEIRA) + 15.17h (BRITADOR PARADO)
HPO = 152.83h 

HT = 780 – 152.83 
HT = 627.17h 

Com todos os valores de Horas calculados, podemos finalmente obter DF, UF e RO dos equipamentos. 

DF (%) = (780/840) *100 
DF (%) = 92.86% 

UF (%) = (627.17/780) *100 
UF (%) = 80.41% 

RO (%) = 92.86% *80.41% 
RO (%) = 74.66% 

Como citado no primeiro exemplo, vamos demonstrar na prática como um simples valor diferente pode mudar os valores de DF, UF e RO significativamente? 

Por exemplo, no exemplo prático acima, quais seriam os novos valores de DF, UF e RO caso não tivéssemos realizado a manutenção de 36 h no caminhão I, ou seja, caso tivéssemos feito somente às 3 h de manutenção dos faróis semelhante aos caminhões II, III e VE 

Resposta:  Os valores de HC, HP e HI não se alterariam, entretanto, teríamos que refazer os cálculos de HM, HD e HT. 

HM = 3h (I) + 3h (II) + 3h (III) + 15h (IV) + 3h(V) 
HM = 27h (↓) 

HD = 840 – 27  
HD = 813h (⭡) 

HT = 813 – 152.83 
HT = 660.17h (⭡) 

DF (%) = (813/840) *100 
DF (%) = 96.79% (⭡) 

UF (%) = (660.17/813) *100 
UF (%) = 81.20% (⭡) 

RO (%) = 96.79%*81.20% 
RO (%) = 78.59% (⭡) 

Ao optarmos por realizar a manutenção dos faróis do caminhão A em vez de uma intervenção mais complexa, observamos uma redução de 45% no tempo de manutenção (HM), resultando consequentemente em um aumento nos valores dos indicadores diretamente relacionados à DF, UF e RO. 

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